quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A Chave para a Meditação é o Nobre Fracasso


Por: Ben


A meditação, como muitas outras coisas, é realmente sobre fracasso. De novo e de novo. 

Em seu livro The Wisdom of Yoga: Guia de busca para uma vida extraordinária, Stephen Cope descreve algo que ele chama O Nobre Fracasso. É um momento que se experimenta quando a prática da meditação te mostra o quão fora de controle  sua mente realmente é:
"Nosso primeiro experimento com uma técnica de meditação deste tipo inevitavelmente nos coloca cara a cara com uma descoberta alarmante: não podemos fazer a técnica! Não podemos deixar a consciência descansar pela respiração mesmo por alguns segundos, sem que ela se deslize e pense no jantar esta noite, ou aquele som de ronco irritante proveniente do nosso vizinho. Nós conscientizamos um objeto muito simples - a respiração. E uma diretriz tão simples: Fique !! Fique, Totó, fique. Mantenha a respiração. Mas Totó continua a fugir para brincar na floresta.
Às vezes, eu chamo essa descoberta "O Nobre Fracasso"

Certamente é um fracasso - porque descobrimos que a mente simplesmente não descansará no objeto. Mas também é nobre, porque nos dá (talvez pela primeira vez) um ponto de vista para observar a natureza da mente comum ".
E perceber que a mente não é realmente algo que você dirige a maior parte do tempo; você geralmente não a orienta em uma direção específica e produtiva. Em vez disso, pensamentos, emoções, e outras experiências mentais surgem e desaparecem, aparentemente fora do nosso controle. Não podemos deixar de pensar coisas. Durante a meditação, tentamos parar de pensar, tentamos parar a conversa da nossa mente e percebemos que não podemos. Nós não temos escolha. Mesmo quando queremos que ela fique quieta por apenas alguns minutos, a mente divaga.

Felizmente, estamos na posição de podermos treinar nossa própria mente através de disciplinas contemplativas, como a meditação.

Podemos treinar a mente tentando repetidamente controlá-la e repetidamente falhando.

Como usar nossas falhas


Feche os olhos e tente se concentrar em sua respiração. Tente não fazer nada além de se concentrar na sensação do ar que flui dentro e fora de suas narinas, seus pulmões. Veja quanto tempo você pode fazer isso, sem se distrair com o pensamento ou o ruído mental.

Quanto tempo durou? Cinco segundos? Meio minuto?


Sua primeira reação pode ser ver isso como uma falha, e na verdade é uma oportunidade! Aqui está a sua chance! Tudo o que você precisa fazer para ter sucesso na meditação é reconhecer que sua atenção foi perdida e devolvê-la à respiração! Basta ver o seu fracasso e trazer a consciência de volta à respiração, a sua âncora.

Se sua consciência nunca vacilasse, você nunca teria a chance de fortalecê-la através desse processo.

Você deve perder sua concentração para encontrá-la novamente. A meditação é realmente sobre encontrá-la novamente; de novo e de novo e de novo outra vez.

Eventualmente, sua capacidade de concentração melhora e você pode manter a atenção na âncora por trechos mais longos. Isso leva a uma calma da mente, relaxamento e muitos outros benefícios geralmente associados à meditação.

Ainda mais doce é o fato de sua mente aprender a reconhecer o que está fazendo. Normalmente passamos horas, dias e talvez até vidas inteiras sem uma consciência significativa do que nossas próprias mentes estão fazendo. Na meditação, toda vez que você vê que sua mente perdeu a âncora, você fortalece o músculo de consciência. Você tem um momento de reconhecimento: é aqui que está minha mente.


Isso nos guia para viver no momento presente, e nos permite usar nossas mentes de maneira muito mais eficaz.

Se você praticar meditação regularmente, você começará a ter momentos de "despertar". Sua prática plantará as sementes para momentos espontâneos na vida cotidiana em que você percebe que não está vivendo no presente, que você se perdeu em pensamentos sobre o passado, o futuro, sua lista de tarefas ou alguma outra fantasia. Esta é uma oportunidade para trazê-lo ao presente, assim como você faz na meditação.

A meditação revela a beleza do presente toda vez que você reconhece o que está acontecendo dentro de você e no mundo ao seu redor.

Quando consistentemente levamos em consideração o que a mente faz, começamos a desenvolver mais controle e autonomia em relação a ela. Em um dado momento, quando despertamos para o que a nossa mente está fazendo, podemos deixar que ela continue o que quer que esteja fazendo, ou podemos decidir mudar sua trajetória. Independentemente do que escolhemos, o importante a reconhecer é que só temos a escolha se tomarmos consciência do que a mente está fazendo.

Só é possível mudar a direção de seus pensamentos, ou pensar de forma mais proposital em um tópico, quando você está presente no que está acontecendo na mente. Nós não estamos realmente no controle dos habituais devaneios ou pensamentos  casuais que ocupam a mente a maior parte do tempo. Nós somos mais como passageiros  do trem. Só estaremos na direção se acordarmos e prestarmos atenção ao que está acontecendo.

Então não tenha medo do fracasso - não na meditação, nem em qualquer lugar. Um especialista é apenas alguém que falhou muito mais vezes em algo que a maioria das pessoas. Aquela pessoa uber-Zen que você conhece somente percebeu, por meio de muita prática, quão completamente fora de controle a mente realmente é.

A prática da meditação é o cultivo de consciência através de falhas repetidas para controlar a mente. Quando a mente se recusa a ficar em silêncio, não desanime. Não é porque a meditação não é para você. Não é porque você não tem disciplina. É porque você é um ser humano praticando meditação. Fique com sua mente rebelde e um dia, talvez mais cedo do que você pensa, você descobrirá algo vital.

Artigo original: High Existence

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O quê aprendi com minha mãe



Em um texto anterior eu falei um pouco sobre a minha relação com minha mãe. 
Temo haver deixado uma impressão errônea a seu respeito falando apenas de um dos muitos aspectos dessa relação.
Essa mulher que descrevi como uma criatura frágil e temerosa do julgamento alheio, também me ensinou muito sobre força, coragem e fé.
Não a fé religiosa, de ritos e dogmas, mas aquela que vem da esperança.

De como quando ela deixou sua família e o mundo que conhecia como referência, para se mudar para a Bahia, quando casou-se com meu pai, que trabalhava como engenheiro eletricista em plataformas de exploração petrolífera.

De como quando deu a luz à sua primeira filha em uma Maceió que naquela época estava muito mais próxima do imaginário popular sobre o cangaço do que de como se apresenta agora. Com o marido e companheiro trabalhando fora em turnos de duas semanas. Longe da segurança de seu ambiente familiar.

De como ela e meu pai sustentaram uma relação que durou mais de meio século até que ele partisse na grande viagem que aguarda a todos nós.

E de como ela se mantém até hoje, aos 83 anos, apesar de alquebrada pela perda de seu companheiro.

E sim, muitas vezes, abusiva e manipuladora, romântica e realista, frágil e forte, e muito, muito corajosa.

Enfim, fazendo o melhor que pode no momento, como todos nós, aprendizes e mestres que somos, nessa imensa e maravilhosa escola que é a vida!
E termino esse texto com as mesmas palavras que terminei o texto anterior.

Gratidão mãe!

Com amor!


Wanda :o)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Dia das mães





Minha mãe e eu nunca nos demos muito bem. Sempre tivemos opiniões e temperamentos divergentes.

Sou a filha mais velha de duas, e a primeira neta de meus avós maternos. Recebi o mesmo nome de minha mãe. Dá para imaginar o tamanho da expectativa?

Imagine agora o susto de todos ao verem aquela bonequinha linda e rechonchuda se revelando uma criatura indomável, atrevida e questionadora de toda e qualquer autoridade.

Quanto a mim, à medida que crescia, percebia minha mãe como uma pessoa preconceituosa, conservadora, muitas vezes opressora e até mesmo abusiva.

Nunca fomos amigas ou confidentes.

Hoje sou mãe e avó. Olho para trás e questiono minha própria performance como mãe.

Nunca fui abusiva ou opressora; de fato, provavelmente pequei por excesso de condescendência até. Sempre me esforcei para ser amiga dos meus filhos, quantas vezes me esquecendo de que crianças precisam sim de autoridade.

E mesmo tentando fazer tudo diferente daquilo que eu acreditava serem erros, quantas vezes errei também.

Mas, peraí...todos cometemos erros. É através deles que aprendemos, crescemos e evoluímos.

Teria minha mãe errado todos os seus erros intencionalmente?

Tenho certeza que não. Assim como eu, ela fez o melhor que pôde e sabia naquele momento. Seus conceitos, que tantas vezes julguei, são também reflexos de uma época, de uma cultura, de um contexto. 

E hoje eu me dou conta de que, à sua maneira, ela também se esforçou para questionar muitos deles. Seu comportamento que eu via como opressivo e intimidante, nada mais foi do que a expressão de uma fragilidade intensa, de um temor imenso do julgamento de outros, do medo de errar.

E ainda assim, eu cresci, e aquela criança atrevida, indomável e questionadora que sou até hoje tornou-se mãe também. Um pouquinho mais tolerante, mais flexível, ainda cheia de perguntas, erros e acertos, tristezas e alegrias, aprendendo cada dia um pouco mais.

Se estou satisfeita com o que alcancei até agora?

Sim!
Sei quem sou e o que quero e não tenho medo de viver em congruência com meus valores.

E sabem de uma coisa?

Minha mãe exerceu e ainda exerce um enorme papel nisso tudo! 

Tudo que sou e me tornei eu devo a ela também!

Gratidão mãe!

Com amor!


Wanda  :o)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Assédio e outras babaquices






Outro dia, no ônibus a caminho de casa, entreouvi um trecho da conversa de duas passageiras  que estavam atrás de mim, a respeito do escândalo mais ou menos recente  de assédio envolvendo atores de nossa televisão.

Uma delas comentou que esses atores quando se tornam ricos e/ou famosos, ficam com o  ‘rei na barriga’, achando que podem fazer tudo que bem quiserem.

Bem, fiquei matutando, todo mundo pode fazer o que bem quiser uai. 
E, sim, eu entendi o que elas quiseram dizer. Parece-me até uma hipótese bem plausível afinal , já diz a sabedoria popular que a fama e a riqueza são duas das maiores provas  para o caráter humano.

Isso me leva à questão do caráter. Pois é, se a riqueza e a fama são provas para o caráter , parece-me que no caso dos referidos atores, realmente existe algo a ser trabalhado.  E aqui, acho que não há dúvida que eles são uns babacas. 
E, para os babacas que resolvem exercer sua babaquice, graças a nós, temos hoje uma  constituição que nos assegura que as babaquices exercidas terão conseqüências.

No entanto, não devemos esquecer que um comportamento babaca não define a pessoa como um todo e, essa mesma constituição também nos assegura a todos nós, o direito à babaquice.

Se, como diz o ditado: de médico e de louco, todos temos um pouco, eu acrescentaria,  de médico, louco e babaca todos temos um pouco.

Quanto a mim, eu tenho certeza que ainda estou bem atrás na fila da santidade...


E você?

Com amor!

Wanda :)

Imagem: Deviantart