Minha mãe e
eu nunca nos demos muito bem. Sempre tivemos opiniões e temperamentos
divergentes.
Sou a filha
mais velha de duas, e a primeira neta de meus avós maternos. Recebi o mesmo
nome de minha mãe. Dá para imaginar o tamanho da expectativa?
Imagine agora
o susto de todos ao verem aquela bonequinha linda e rechonchuda se revelando
uma criatura indomável, atrevida e questionadora de toda e qualquer autoridade.
Quanto a
mim, à medida que crescia, percebia minha mãe como uma pessoa preconceituosa,
conservadora, muitas vezes opressora e até mesmo abusiva.
Nunca fomos
amigas ou confidentes.
Hoje sou mãe
e avó. Olho para trás e questiono minha própria performance como mãe.
Nunca fui
abusiva ou opressora; de fato, provavelmente pequei por excesso de condescendência
até. Sempre me esforcei para ser amiga dos meus filhos, quantas vezes me
esquecendo de que crianças precisam sim de autoridade.
E mesmo
tentando fazer tudo diferente daquilo que eu acreditava serem erros, quantas
vezes errei também.
Mas,
peraí...todos cometemos erros. É através deles que aprendemos, crescemos e
evoluímos.
Teria minha
mãe errado todos os seus erros intencionalmente?
Tenho
certeza que não. Assim como eu, ela fez o melhor que pôde e sabia naquele
momento. Seus conceitos, que tantas vezes julguei, são também reflexos de uma
época, de uma cultura, de um contexto.
E hoje eu me dou conta de que, à sua
maneira, ela também se esforçou para questionar muitos deles. Seu comportamento
que eu via como opressivo e intimidante, nada mais foi do que a expressão de
uma fragilidade intensa, de um temor imenso do julgamento de outros, do medo de
errar.
E ainda
assim, eu cresci, e aquela criança atrevida, indomável e questionadora que sou
até hoje tornou-se mãe também. Um pouquinho mais tolerante, mais flexível,
ainda cheia de perguntas, erros e acertos, tristezas e alegrias, aprendendo
cada dia um pouco mais.
Se estou
satisfeita com o que alcancei até agora?
Sim!
Sei quem sou
e o que quero e não tenho medo de viver em congruência com meus valores.
E sabem de
uma coisa?
Minha mãe
exerceu e ainda exerce um enorme papel nisso tudo!
Tudo que sou e me tornei eu
devo a ela também!
Gratidão
mãe!
Com amor!
Wanda :o)

Nenhum comentário:
Postar um comentário